A Casa Onde Vivemos 2
... a seguir para continuar uma caminhada feita em conjunto
A porta está sempre aberta :-)isabelle e paulo
... no Pais de Cima, isto é ... le Pays d'Enhaut, na Suiça
A porta está sempre aberta :-)
Todo o inverno, a deusa tinha tomado conta das bermas geladas do rio, sonolentas e cobertas por um espesso manto de neve, mas na primavera, algo ou alguém a tinha deitado abaixo... porquê? não sei.
Na paisagem primaveril que emergia aos poucos, depois do degelo, tinha sentido a sua ausência ... três meses sem a ver, sem saber se um dia voltaria.
Vi-a de novo, mais bela, mais alta, mais impertinente no seu desafio as leis do equilíbrio, mais Deusa do que nunca.
Depois de algum tempo, ela nos convidou a continuar o passeio... e quando chegamos à "praia", onde o bosque se abre para o rio, parámos, encantados pela vista insólita que esperava quem por cá passasse.
Dezenas de pequenas deusas contemplavam a água, o sol, as ervas, as flores... e olhavam para nós. O tempo desvaneceu e ficamos là, como crianças, respirando a alegria do lugar, deslumbrados por essas maravilhas, testemunhas do tempo, das forças da Terra, das caricias da água, das transformaçoes do Universo.
E durante todo esse tempo, senti-me profundamente ligada à quem criou essas esculturas de pedras, às outras pessoas que cà vivem e que nao conheço mas que deixam marcas das deusas que vivem dentro delas... para outras ver, tocar, sentir e reencontrar o que de mais profundo existe nelas.
Diaporama do passeio...
... e porque nunca parei de tirar fotografias, que não cabem todas num blog, resolvi transformar-me em contador "visual" dos passeios, das pequenas viagens, dos caminhos que fazemos...
(parece que estou a me contradizer, mas aqui, no pais do chocolate, já percebemos que são necessárias varias condições para que a magia da neve aconteça; pode cair imensa neve durante a noite, mas se no dia seguinte faz sol e pouco frio, uma grande parte derrete... quando todas as condições são reunidas, e só Deus sabe quais são... acontece o maravilhoso!)
Hoje, o cenário começou por ser igual aos outros dias; nevou a manhã toda mas depois do almoço, a temperatura baixou e pouco depois, o tempo começou a abrir…
O sol já espreitava e ainda nevava, ao mesmo tempo.
Em poucos minutos estávamos na rua, para um passeio inesperado e inesquecível.
Há momentos assim em que o melhor encenador não poderia imaginar melhor… momentos quando tudo se combina para nos mostrar como o mundo é lindo, surpreendente, mágico…
momentos que devíamos aproveitar assim, sem pedir licença a ninguém… só para nos deliciarmos com a natureza efémera das coisas.
O Paulo mergulhou na neve, nadou neste vasto oceano branco, abriu caminho nos campos virgens…e eu fartei-me de rir das suas tolices!


aí, aconchegados uns contra os outros, os balões pareciam não puderem conter-se mais… e os primeiros levantaram voo… soltos e alegres, levados pelo vento… fantásticos, lindos…
Durante a última semana de Janeiro, os céus de Château d'Oex enchem-se de cores… e de balões de ar quente. Esta pequena vila suiça onde agora vivemos é de facto, a capital mundial dos balões e todos os anos desde 1978, acontece um festival muito colorido e festivo, que deixa toda a gente de boca aberta e feliz.
Porém este ano, as previsões meteorológicas não eram das melhores e no primeiro dia, os voos foram cancelados devido a neve que caia com bastante força.
O resto da semana, deliciei-me com um espectáculo mágico, surpreendente, irreal e pouco comum.
De todos os tamanhos e formas, cores e patrocinadores, os balões encheram a paisagem, aparecendo às vezes nos lugares mais inesperados, como estes que fizeram uma aterragem forçada em frente a casa onde vivemos…
Vai ser estranho agora olhar para o céu e não ouvir o sopro forte do gás e da chama imensa que aquece o balão, e ver um pato, uma tartaruga ou uma tela multicolorida passar por cima de nós, rumo a uns horizontes longíquos…
... no dia 22 de Junho caminhava pelo Alentejo. Nesta lindíssima paisagem procurava um lugar para me sentar.
Na sombra, debaixo de uma azinheira, o azul da água, o verde e castanho dos campos, a Serra d’Ossa ao fundo.
Mesmo na sombra o sol continua brilhando entre os ramos da arvore. É a sua natureza brilhar “sem quê nem porquê”.
Sentado enquanto procurava a tranquilidade da mente e do corpo, meditando de olhos fechados, a Isabelle passeava meditando de olhos abertos, fazendo todas estas magnificas fotos.
Todos sabemos que o sofrimento, quer sejam angústias ou outras dores da alma não se combate com prazeres, pois aqui não há vencedores nem vencidos. A vida da mente e do corpo é isto mesmo, prazer e sofrimento, alternando eternamente.
A Realidade está aqui também de outra maneira, e sei que todos um dia vamos aí viver:
Existem perto de nós, pessoas inspiradoras de quem ninguém fala… são discretas, pedem pouco, agem com determinação e criam pequenos e grandes milagres.
A recolha de medicamentos, de brinquedos, de livros e cadernos não é muito difícil até porque parece haver do nosso lado uma necessidade de dar a quem nada tem …
Muita gente embarca numa viagem de auto-descoberta para se sentir melhor e o resultado é que muitos se sentem cada vez pior… A viagem de auto-descoberta não deve ser feita para nos sentir melhor mas sim porque sentimos que é uma necessidade essencial e que, nesta necessidade, aceitámos os riscos. Essa viagem muitas vezes, faz doer e faz perder o rumo daquilo que pensávamos ter conquistado.
Muitos deixam os seus empregos, relações, casamentos, mudam de casa, de cidade e às vezes, de países e passado algum tempo, vivem numa angustia terrível de não conseguir sobreviver materialmente ou emocionalmente…
Quanto a nós, tivemos até agora centenas de provas que não estamos sozinhos, que o fluir deste universo olha por cada um de nós e satisfaz as nossas necessidades à medida que fazemos a nossa parte… e cada vez que acontece, há uma pequena voz dentro de mim que me diz “Estás a ver, não tens que te preocupar, hoje, neste momento presente, tens tudo o que precisas.”
E mesmo assim, passado algum tempo, a angustia volta a acontecer.

Então, que tal olhar para a nossa existência como um intervalo… inspirar, expirar… inspiramos, expiramos… nascemos, morremos… nascemos numa inspiração, morremos com uma expiração… e no intervalo desses dois movimentos do nosso corpo, máquina extraordinária, Ser, Acreditar e Deixar que tudo aconteça em sincronia, e que o Todo se manifeste.
Sábado passado, este 1º workshop que fizemos juntamente com o Luís, trouxe um sorriso ao meu coração quando percebi, logo que chegaram os participantes, que a maioria era homens.


as escadas, os buxos aparados que nos levam à época da sua construção.
É um jardim para se passear a pé, pena que não esteja muito cuidado, e que as informações acerca das espécies quando existentes, limitam-se ao nome.







