22 de Junho de 2009

um convite

È com esta foto que começa o nosso novo blog
A Casa Onde Vivemos 2
... a seguir para continuar uma caminhada feita em conjuntoA porta está sempre aberta :-)

isabelle e paulo

4 de Junho de 2009

As Deusas do Rio saudam outras Deusas...

Um passeio imprevisto nos levou ao fim da tarde perto do rio.Todo o inverno, a deusa tinha tomado conta das bermas geladas do rio, sonolentas e cobertas por um espesso manto de neve, mas na primavera, algo ou alguém a tinha deitado abaixo... porquê? não sei.Na paisagem primaveril que emergia aos poucos, depois do degelo, tinha sentido a sua ausência ... três meses sem a ver, sem saber se um dia voltaria.

Chegamos ao pé da cascata, onde antes era possível aproximar-se da deusa; o meu olhar dirigiu-se para o rochedo, chamando por ela e...
Vi-a de novo, mais bela, mais alta, mais impertinente no seu desafio as leis do equilíbrio, mais Deusa do que nunca.
Depois de algum tempo, ela nos convidou a continuar o passeio... e quando chegamos à "praia", onde o bosque se abre para o rio, parámos, encantados pela vista insólita que esperava quem por cá passasse.Dezenas de pequenas deusas contemplavam a água, o sol, as ervas, as flores... e olhavam para nós. O tempo desvaneceu e ficamos là, como crianças, respirando a alegria do lugar, deslumbrados por essas maravilhas, testemunhas do tempo, das forças da Terra, das caricias da água, das transformaçoes do Universo.
E durante todo esse tempo, senti-me profundamente ligada à quem criou essas esculturas de pedras, às outras pessoas que cà vivem e que nao conheço mas que deixam marcas das deusas que vivem dentro delas... para outras ver, tocar, sentir e reencontrar o que de mais profundo existe nelas.
Diaporama do passeio...

31 de Maio de 2009

Mensagem para a Hazel e para quem està a espera de noticias... que nunca chegam

Foi uma decisão que tomamos a dois mas que tocou todos aqueles que acompanharam este blog, ou, como a Hazel, que o descobriu há pouco tempo e que está a espera de noticias há um mês :-)

Como as ultimas fotos (e posts) mostram, estamos agora a viver na Suíça e aqui, a nossa vida orientou-se para um caminho mais tradicional do que vivemos até agora, na Quinta das Rosas, em Estremoz ou no Caminho de Santiago.
Hoje em dia, as nossas actividades "do corpo e do espírito" envolvem passeios nas montanhas, sem outro objectivo senão andar e observar a beleza do mundo, "apenas" pelo puro encanto e magia dos lugares.
... e porque nunca parei de tirar fotografias, que não cabem todas num blog, resolvi transformar-me em contador "visual" dos passeios, das pequenas viagens, dos caminhos que fazemos...
O que há de bom aqui, no pais onde vivemos, é que fazemos um passo fora de casa e estamos logo no meio de um bosque, num caminho de montanha, ou perto do rio, a subir ou a descer uma encosta, no meio das vacas :-))
Nunca pensei que a Suíça tivesse tanto para me oferecer, a cada passo, em cada momento do dia, do ano.

Por enquanto, as fotos esperam no Picasa-isabelle , a visita de quem quer descansar um pouco da sua vida atarefada... visitar novos sítios, conhecer pequenos paraísos... diferentes daqueles que imaginamos tradicionalmente .
(as legendas, quando aparecem, estão em francês porque a ideia inicial era de partilhar os álbuns com a minha irmã).
Talvez mais tarde, haverá um site em português, mais completo... quem sabe :-)
Aqui, encontrarão a noticia da sua publicação e endereço.

De momento, é o que ofereço, então boa viagem e obrigado pela visita.


28 de Março de 2009

Earth Hour

Juntos, fazemos a diferença.
Hoje a noite, entre as 8:30 e as 9:30, apaga todas as luzes de casa e junta-te ao mundo, neste gesto de amor e de respeito para com a Terra.

... Ela agradece



6 de Março de 2009

no Pais do chocolate... branco

Neva há três dias mas como não faz frio suficiente, o que cai durante o dia e a noite não fica.
A paisagem continua bonita, quase a preto e branco…
(parece que estou a me contradizer, mas aqui, no pais do chocolate, já percebemos que são necessárias varias condições para que a magia da neve aconteça; pode cair imensa neve durante a noite, mas se no dia seguinte faz sol e pouco frio, uma grande parte derrete... quando todas as condições são reunidas, e só Deus sabe quais são... acontece o maravilhoso!)Hoje, o cenário começou por ser igual aos outros dias; nevou a manhã toda mas depois do almoço, a temperatura baixou e pouco depois, o tempo começou a abrir…
O sol já espreitava e ainda nevava, ao mesmo tempo.
E de repente, como se o sol estivesse farto de não ser visto há vários dias, o céu ficou todo azul e uma luz forte e brilhante revelou a paisagem a nossa volta…Em poucos minutos estávamos na rua, para um passeio inesperado e inesquecível.
Há momentos assim em que o melhor encenador não poderia imaginar melhor… momentos quando tudo se combina para nos mostrar como o mundo é lindo, surpreendente, mágico… momentos que devíamos aproveitar assim, sem pedir licença a ninguém… só para nos deliciarmos com a natureza efémera das coisas.

O Paulo mergulhou na neve, nadou neste vasto oceano branco, abriu caminho nos campos virgens…e eu fartei-me de rir das suas tolices!



… o mais bonito fica para ver e apreciar nestas fotos, sem mais outros comentários…



5 de Março de 2009

Sobe, sobe, balão sobe…

Vindos do rio gelado, chegamos ao topo do caminho um pouco ofegantes e o nosso olhar abraçou todo o vale;aí, aconchegados uns contra os outros, os balões pareciam não puderem conter-se mais… e os primeiros levantaram voo… soltos e alegres, levados pelo vento… fantásticos, lindos…
Durante a última semana de Janeiro, os céus de Château d'Oex enchem-se de cores… e de balões de ar quente. Esta pequena vila suiça onde agora vivemos é de facto, a capital mundial dos balões e todos os anos desde 1978, acontece um festival muito colorido e festivo, que deixa toda a gente de boca aberta e feliz.
Porém este ano, as previsões meteorológicas não eram das melhores e no primeiro dia, os voos foram cancelados devido a neve que caia com bastante força.
No dia seguinte, contra todas as previsões, o tempo mudou subitamente e a magia começou.

O resto da semana, deliciei-me com um espectáculo mágico, surpreendente, irreal e pouco comum.
De todos os tamanhos e formas, cores e patrocinadores, os balões encheram a paisagem, aparecendo às vezes nos lugares mais inesperados, como estes que fizeram uma aterragem forçada em frente a casa onde vivemos…

bem, parece que num voo de balão, a aterragem é quase sempre forçada… vai até onde o vento o leva… e quando o vento pára ou que as correntes de ar mudam, o balão desce… desce… e toca no que estiver ali…

Vai ser estranho agora olhar para o céu e não ouvir o sopro forte do gás e da chama imensa que aquece o balão, e ver um pato, uma tartaruga ou uma tela multicolorida passar por cima de nós, rumo a uns horizontes longíquos…

Sobre o blog

Foi escrevendo estes 2 post (e os próximos) ao longo dos últimos meses, mesmo não tendo computador nem internet. Foi uma maneira de guardar uma ligação com Portugal e com todos aqueles que fazem parte de nós.

Relendo o que escrevi, vejo que a maior parte do tempo falo apenas das coisas boas... deixando de lado a parte que nos faz cair na neura, no medo... etc.

Contudo esse lado tem sido um desafio constante para nós e para muita gente à nossa volta....

Às vezes, sentimo-nos tão instáveis que temos que dar as mãos ou abraçarmo-nos em silencio; e neste abraço que temos a sorte de poder partilhar um com o outro, incluímos todos aqueles que conhecemos e que se sentem sozinhos... muito sozinhos.
O que fazer, o que dizer?

Para mim, viver na Suíça não é mais ou menos fácil do que viver em Portugal; os desafios são outros, apenas...
Significa que estamos arrependidos de ter vindo cá?

Observo a pergunta e tento sentir se ela me traz respostas sobre mim mesma ou angustias em relação ao presente... e ao futuro... o resto não importa.

isabelle

2 de Março de 2009

O Rio

Uma seta indica o caminho da Cascata do Ramaclé, a 20 minutos. Viramos então a direita e para baixo para iniciar a descida.Tudo está silencioso e a neve caída durante a noite abafa e envolve qualquer barulho. Só se ouve o "crrr… crrr…" das nossas botas na neve.
O Paulo vai em frente; ele já conhece bem a descida e aponta para o declive, entre as árvores. Diz-me para ter cuidado, não me apressar. De vez em quando uma árvore aparece marcada com uma seta amarela que me faz lembrar o caminho.
A medida que descemos, o ar fica mais frio, mais humido, mais cortante. As minhas orelhas sentem o assalto do frio e as pontas do meu cabelo ficam esbranquiçadas; hoje, os 13 graus negativos mordem cada celula exposta do nosso corpo como para dizer que por aqui, só se aventuram os mais atrevidos.

Depois de caminhar entre as árvores cujos ramos se curvam até ao chão com o peso da neve, Paulo diz que estamos quase a chegar, que já se pode ouvir o barulho estrondoso da água a cair dos seus 10 metros… ele pára, escuta e percebe que não se ouve mais nada do que a água do rio a correr… tranquila…
-"Alguém fechou a torneira", gozo então com ele…
Por cima das águas do rio, uma núven de condensação pairada…
Alguns ramos ficaram presos nas garras do gelo que aos poucos encerra com uma força violenta e irresistível qualquer um que se atreve a medir forças com o poder da água e do gelo, combinados.
Finalmente chegamos, quando o trilho acaba abruptamente em frente a cascata…
Faltam-me as palavras… a água não corre… a água está em suspenso… a cascata espumante de ontem transformou-se, como capturada no seu movimento pelas incantações de um grande mágico, mestre do tempo e das estações e que, da sua varinha mágica tornou a força tumultuosa da água a cair numa escultura admirável de gelo, cujos pormenores repetem-se como nos fractais.Lá onde a água corria para o rio, formaram-se pregas de gelo, marcando a sua determinação de continuar nesta direcção, quando o tempo estiver propicio para isso…
Aproximo-me e acaricio a cascata… Ficamos ali parados no tempo e no frio, a olhar para este espectáculo fabuloso que nos oferece a Natureza.
Ao fim de um tempo sem fim, continuamos o nosso caminho, caminhando agora sobre a cascata que se tornou "transitável", tocados pela magia dos lugares, humildes perante a grandeza e a força dos elementos a nossa volta.

28 de Fevereiro de 2009

Regresso ao blog

Depois de tanto tempo de ausência, sinto-me… enferrujada mas muito feliz de poder escrever neste blog … tenho muitas coisas para contar, fotos para mostrar, muitos beijinhos e noticias para dar e também saudades para partilhar.

Em Dezembro 2008, pouco antes do Natal, Paulo e eu reencontrámo-nos aqui, no Pays d'EnHaut (o País de Cima) nos pré Alpes suíços.

A primeira palavra que me vem à mente para falar deste País de Cima é Natureza…. depois… frio, sol, branco, neve, gelo, rio, montanhas, chalés, balões, caminhar, subir, descer… caminhar mais, cada vez mais, sempre.


Tal como os caminhos das montanhas, os meus primeiros dias foram tortuosos, feitos de altos e baixos, a tentar perceber o que tinha vindo cá fazer, além de reencontrar o meu bem-amado ☺ Assustei-me com a minha falta repentina de adaptação, eu que nunca tive este problema, em todos os lugares onde já vivi.

Sentia a montanha me circundar e dizer-me "Daqui não sais sem encontrares uma maneira sustentável de viver"…. bater o pé, angustiar-me, me lamentar não serviram de nada; no pequeno chalé bem aquecido onde vivemos provisoriamente, olhava para fora, para as pistas de skis e sentia-me posta de lado das actividades do quotidiano, da vida das montanhas… forasteira, longe do mar e dos oceanos que sempre foram o panorama dos meus dias. Não havia saudades, apenas uma pergunta "Agora que estou cá, o que é que vou fazer?"
Foram muitos os momentos de dúvidas, de angústia… e foram muitas as conversas em que incansavelmente ia buscar as memórias de um passado recente para procurar nelas ideias de felicidades.
Mas nada é permanente… tudo muda… e o passado não volta mais.

Os primeiros passeios com o Paulo deixaram-me com uma sensação de desmesura, que aos poucos passou a respeito e finalmente gratificaram-me com uma plenitude total, uma grandeza recebida em plena cara, uma força brutal feita de frio, de sol, de gelo e sobretudo de silencio.
Aqui, no cimo de uma montanha, ouve-se o silencio do silencio… e não há palavras, só a própria experiencia.

Como também não há palavras para explicar este pais… Aqui, fui obrigada a largar tudo o que dantes tinha como garantido; coisas simples do quotidiano como lojas abertas o dia todo e até tarde à noite, sete dias por semana, produtos e preços variados para todos os bolsos, acesso a um computador e a Internet nas bibliotecas, custo económico das chamadas de telemóveis, uma ligação ao mundo… tudo isso desapareceu, de repente e vi-me confrontada com a sensação de ter voltado para trás no tempo… e ser possível fumar em locais públicos reenforçou esta sensação… novamente, o fumo dos cigarros em espaços fechados… que coisa tão estranha!

Depois, segui o conselho do Paulo que me dizia "Deixa-te levar pelo Espírito da Natureza; aqui, é o que há de mais forte, de mais poderoso…"
Aqui, a Natureza manda em nós de uma maneira mágica, às vezes com uma beleza extraordinária, outras vezes com um poder tão absoluto que impõe o respeito.

Que seja a neve a cair e cobrir de branco os bosques e os Alpages (colinas verdejantes onde as vacas passam o verão), o frio intenso que solidifica as quedas de água e as águas dos rios, as paisagens de sonho - chalés com telhados cobertos de uma espessa camada de neve, estalactites penduradas como cristais dos telhados - os passeios ao luar nos terrenos abertos e brancos que brilham como campos de diamantes, as pegadas das raposas na neve, o calor do sol reflectido na neve…


Entrei em contacto com tudo isso… lentamente, inevitavelmente e deixei a magia operar-se dentro de mim…Viver aqui é um novo caminho e uma nova maneira de caminhar; aceito ser surpreendida pelo que a Natureza tem para me mostrar, me dizer, me oferecer.


... isabelle

13 de Novembro de 2008

... de Nice

... de Nice, no Sul de França, escrevo essas linhas... para todos em Portugal, para o Paulo na Suiça, para uma familia alargada, no mundo.
Faz duas semanas que estou cà, a viver com a minha irmà e os seus três filhos, mais os bebés dos quais toma conta, e um estudante holandês que vive cà... muita gente a minha volta, muitas energias, conversas, maneiras de ser e de pensar diferentes e\ou iguais.
Estou a gostar, apesar de ter muitas saudades da presença do Paulo e de um estilo de vida mais simples, com menos consumo e menos gastos energeticos para ficar centrados.
Mas, cada um do nosso lado, aceitamos fazer esta experiencia.
No domingo passado, fomos caminhar e tudo me fez lembrar o caminho de Santiago; foi um bom exercicio, nao apenas fìsico como tambem emocional. Sentir o apelo do caminho e a sua energia, é para mim, a melhor maneira de me centrar e me religar a natureza e ao mundo.

Qualquer que seja o caminho, que tenha setas ou nao para indicar a direcçao, que seja historico, misterioso ou apenas bonito, ele se transforma de repente em caminho de vida, mostrando-nos a nossa força e os nossos pontos fracos. Como um livro aberto, ele fala com quem presta atençao e revela os desejos do nosso espirito.
Desta vez, gostei particularmente de ver a minha irma caminhar e notei como ela cresceu durante os ultimos anos; o seu passo é decidido e firme, o calcanhar nao receia pisar o chao, o seu ritmo é ràpido e leve. Ela està atenta aos sinais e os vê de longe, sabe orientar-se e pàra quando està cansada. Como na vida real, nao se aventura muito fora do caminho marcado e receia o cair da noite, quando o medo de nos perder revela a nossa vulnerabilidade, a nossa vontade de controlar :))
Caminhar é um bom exercicio, a fazer de preferencia sozinho ou a dois, respeitando o espaço e o silencio do outro. Neste silencio, abrimos uma porta a um outro mundo, mais subtil, em que os elementais gostam de murmurar aos nossos ouvidos que todos nòs fazemos parte da mesma energia, todos fazemos Um.

Um dia destes, havemos de nos lembrar...

... isabelle, em França

24 de Outubro de 2008

Aprender a largar

Os meses passados na cidade foram até agora uma óptima oportunidade de aprender a largar… de vez!

Desde Julho é que estamos aqui, entre Oeiras e Carcavelos, numa zona de muito vento… esses ventos que sopram às vezes muito fortes, sempre foram para mim sinal de mudanças… só não sabia até que ponto…
Logo no principio, a proposta irrecusável de supervisionar a criação de uma nova revista alternativa foi para nós uma espécie de dádiva, e para mim uma recompensa de Deus aos seus meninos (nós) que, depois de um longo caminho de “sofrimento espiritual” mereciam um pouco de descanso e… remuneração… – rastos de um condicionamento de infância de que a vida é feita de castigos e recompensas… mas estou a tratar disso… –.
O nosso gosto para a escrita, para um estilo de vida alternativo, a espiritualidade, os desafios nos levaram a aceitar a proposta… Mas rapidamente, os nossos egos subitamente inflamados tomaram conta da situação e o stress do prazo de entrega, o não saber escrever a metro, a nossa falta de profissionalismo na matéria e algumas discussões acesas entre nós, obrigaram-nos a parar um momento e olhar para dentro; a pergunta era a seguinte.
Quem, ou o que é, que está a dirigir o meu espírito?
A resposta veio logo, brutal na sua clareza: apesar de estar a tratar de “coisas do espírito” eu estava completamente desligada dele, engolida pelas circunstâncias.
Depois de várias tentativas de trabalhar de maneira diferente, não entrar no stress etc… tomamos em conjunto a decisão de recusar o irrecusável, sabendo que estávamos a largar uma GRANDE oportunidade, daquelas que acontecem uma vez na vida… Coincidências ou não, logo depois de tomar esta decisão, uma amiga nossa falou de uma amiga jornalista que procurava um novo emprego… fizemos a nossa parte, dando os contactos a um e ao outro (quem procurava emprego e quem procurava novo responsável para a revista) e o universo tratou do resto…. E pelo que sabemos hoje, tratou muito bem… a revista está para sair muito em breve!

Enquanto o Paulo procurava emprego, obrigando-se a recomeçar na informática com uma nova perspectiva, um novo olhar, eu enviei emails a vinte editoras, com uma ficha técnica de apresentação do meu livro, reescrito numa segunda versão alargada. Agarrei-me com toda a força do meu pensamento a ideia de que a experiência da revista não tinha resultado porque o livro ia ser publicado em breve… controlo, controlo, controlo… até hoje, apenas uma editora pediu o manuscrito inteiro para o ler, e ainda não deu respostas!

Do lado emocional, lancei-me num divórcio litigioso sem perceber realmente onde estava o litígio… até ler o processo e ver as acusações escritas preto no branco… “abandonou o lar, sem motivos e sem o consentimento do marido”… … …
Depois de várias idas e voltas ao Algarve, onde o meu tempo em frente a Exma. Sra. Dra. Juíza limitava-se a dois minutos de cada vez, e depois de perceber – finalmente – que o interesse das advogadas era de passar o máximo de tempo possível na defesa, porque tempo é dinheiro… tomei outra decisão; abri mão de tudo… do divorcio, do que foi meu, da defesa, do stress e do desgaste emocional, da lavagem de roupa suja no tribunal, do sistema em geral… escolhi entre o medo e a fé e procurei um espaço em que pudesse fazer as pazes comigo mesma, com o homem com quem partilhei 25 anos da minha vida e por fim, ganhei leveza de espírito e conservei a riqueza interior que tenho adquirido ao longo dos anos.

Entretanto, o Paulo começou o seu novo emprego, entrando novamente na rotina dos trabalhadores… acordar as sete, trajecto de comboio, de autocarro, oito horas sentado em frente a um computador e voltar para a casa as 19:30, jantar, conversar um pouco e deitar-se… cinco dias por semana… tudo isso para pagar a renda, a luz o gás e a água, o telefone, e a alimentação e ficar sem nada… nem sequer com tempo para fazer outras coisas.
Uma realidade, uma dimensão no mundo em que vivemos, em que não podemos viver sem dinheiro, ou sem trabalhar… ???
E pergunto-me apenas, A quem entregámos o nosso poder quando aceitamos viver nessa dimensão? Quem dirige a nossa vida?
Quando o meu espírito chama por mim, tenho de fazer de conta que não estou a ouvir… porque o sistema me diz que não?

Olhando pela janela da sala, nesta vista aberta sobre a cidade, vejo os carros novos dos vizinhos, os numerosos apartamentos à venda, as pessoas a sair do supermercado com o carrinho de compras cheio, e vejo também os passeios sujos de papeis deitados no chão, de cocós de cães que não são apanhados, de centenas ou será milhares de pontas de cigarro presas entre as pedras da calçada (agora que gente civilizada não fuma em casa), vejo pais que apressam-se a levar os miúdos à escola, os olhos ainda cheios de sono… vejo multidões que vivem de forma automática, à procura de segurança porque sentem-se inseguras, a trabalhar para consumir e consumir para trabalhar num ciclo sem fim, a alimentar a CRISE falando da crise, a acreditar que essa vai se resolver apenas com um cheque assinado, escolhendo fechar os olhos e encolher os ombros… medo, ignorância ou apatia geral… sintomas de uma civilização à beira do abismo.
Consigo ver a beleza desta triste realidade aqui na cidade e no mundo e admiro a maneira como todos jogamos tão cegamente e tão credulamente este jogo da vida.

Mas hoje, queremos outro jogo, outra realidade e percebemos que já não pertencemos aqui… o que é que nos retém?... à medida que a pergunta caminha dentro de nós, apercebemo-nos de facto de que NADA nos retém… apenas os nossos próprios limites, apenas os medos de costume… de não ter, de não saber o que vem a frente… medos, ilusões da mente, baseados em experiências do passado, pensamentos colectivos e ideias preconcebidas.
Surge uma oportunidade… outra… um trabalho para o Paulo na Suiça… apenas para ele de momento… dentro de mim, uma pequena guerra, um mini conflito que nasce do imprevisto. Vivo em Portugal há 24 anos, o que é que vou fazer agora, sozinha aqui… fazer de mulher de emigrante esperando pelo regresso do homem que ama?… ainda agarro-me à ideia do livro; sei que vai ser publicado, não sei quando… e de repente, largo também essa ideia… o livro foi entregue, tem asas para voar sozinho, um destes dias ...
A ideia de que estou a abandonar os meus filhos também aflora a minha mente; normalmente são eles que partem, deixando os pais a chorar um pouco… mas eles, mesmo crescidos não partiram, gostam por enquanto da sua vida cá.
O que me resta a fazer? O evidente, partir também em busca de novos horizontes…
Como fiz para ela há vinte anos, a minha irmã abre-me as portas da sua casa, no Sul de França, e agradece a ajuda que lhe posso dar na sua vida atarefada… – sempre quis ser Mary Poppins, e sei que a vida pode se tornar muito menos amarga com “uma pitada de açúcar, uma gargalhada ou saltar por dentro de um quadro pintado no passeio da rua…”
Sei que o que faço melhor é ser quem sou, com tudo o que implica.

Desta vez, o saber largar estende-se a tudo o que temos, dentro e fora de nós: o pouco e o essencial que guardámos da Quinta das Rosas, os livros, as coisas que nos serviram e aos outros para criar um espaço de conforto durante um tempo, utensílios de cozinha, especiarias, plantas medicinais e ervas aromáticas, até o meu velho computador que entregou há pouco a sua alma de máquina, como para nos facilitar o desapego… também largamos (por um tempo) essa vida a dois, o olhar que o outro nos devolve nos momentos de paixão, de dúvida ou de dificuldades, os abraços ternurentes que nos fazem sentir tão vivos e amados, os beijos e as carícias dos quais continuamos a “abusar” mesmo depois de 3 anos de vida sempre juntos, … largamos a segurança de saber o outro perto, muito perto e abrimos as portas, afastando os pensamentos que nos fazem imaginar coisas tristes… e depois deste despir integral e ao contrario do que se pode imaginar, a sensação não é de nudez nem de fragilidade… sinto-me de repente inteira nesta experiência que comecei a viver, completa como há muito tempo que não me sentia. Sinto-me leve e livre para seguir um caminho que será o mais apropriado; o apelo da natureza é cada vez mais forte e sei que devo responder… como, aonde… deixo o amor que tenho por mim guiar os meus passos, as minhas decisões… e confio que tudo está bem assim.

Partimos já, nos primeiros dias de Novembro…

11 de Setembro de 2008

O Equinocio do Solsticio

... a caminho do solstício ...

... no dia 22 de Junho caminhava pelo Alentejo. Nesta lindíssima paisagem procurava um lugar para me sentar. Na sombra, debaixo de uma azinheira, o azul da água, o verde e castanho dos campos, a Serra d’Ossa ao fundo. Mesmo na sombra o sol continua brilhando entre os ramos da arvore. É a sua natureza brilhar “sem quê nem porquê”. Sentado enquanto procurava a tranquilidade da mente e do corpo, meditando de olhos fechados, a Isabelle passeava meditando de olhos abertos, fazendo todas estas magnificas fotos.

O porquê deste Post?
Simples … dei espaço ao meu arquétipo hedonístico, esse que me leva a fazer coisas apenas pelo prazer que me dão.
Desta forma, simples, acaricio a minha alma.
Outras vezes as carícias vêm da mulher que amo e com quem vivo esta magnifica aventura de descoberta de quem sou e de quem somos.

Todos sabemos que o sofrimento, quer sejam angústias ou outras dores da alma não se combate com prazeres, pois aqui não há vencedores nem vencidos. A vida da mente e do corpo é isto mesmo, prazer e sofrimento, alternando eternamente.

A Realidade está aqui também de outra maneira, e sei que todos um dia vamos aí viver:
«A mais velha sabedoria do mundo diz que podemos unir-nos conscientemente com o divino enquanto neste corpo; para isto realmente nasce o homem. Se ele falha o seu destino, a Natureza não tem pressa; ela irá alcançá-lo mais cedo ou mais tarde e levá-lo a cumprir o seu propósito secreto» Sarvepalli Radhakrishnan (presidente da Índia de 1962 a 1967)

P.S.
Tudo é transitório o que não invalida que me sinta bem, feliz e satisfeito. Porquê? Coisa simples, o trabalho que faço agora estava emperrado, quase parado, num ritmo de esforço.
Agora, com uma solução encontrada, corre sobre carris.

A caminho do Equinócio ...
... paulo

10 de Setembro de 2008

Jogo de espelhos

Olá Adélia

... mais uma vez, o seu comentário suscita outro da minha parte :-)
mesmo se não concordamos muito com o que diz em "Manuela, uma mulher inspiradora" - que julgo aplicar-se a "Alma a Nu" - publicamos...

Muitas vezes, não se consegue transmitir por palavras o que vai no coração e outras vezes, as palavras são mal interpretadas... julgadas e torcidas numa verdade que acaba por fazer sofrer quem a lê. É melhor deixar o "povo" decidir...

No fundo gostaria de saber porque é que faz estes comentários? O que é que procura na nossa experiencia? o sucesso, o falhanço?
A verdade é que ao longo dos anos fomos descobrindo que não se trata nem de um nem de outro mas apenas de uma VIAGEM, de um CAMINHO, com os seus altos e baixos, as suas rectas e curvas, as grandes viragens e as paragens tranquilas... através deste blog que é livre de acesso, partilhamos uma experiencia.

Li várias vezes o seu comentário e sinto que não é para mim... eu já cortei as amarras, já resolvi o passado, já construi o meu "castelo" e hoje, vivo nele... os meus olhos não são tristes e tenho um grande sorriso no coração... acho que o comentário tem a ver consigo Adelia, com a sua vida, as suas ilusões e desilusões, os seus projectos inacabados e sonhos que ainda faltam realizar.

Lembra-se da frase... "Não vemos as coisas como elas são, vemos as coisas como nós somos..."

Qualquer "verdade" que queira ensinar aos outros, terá que passar pela prova do fogo, sentí-la vibrar dentro de si, e talvez, com toda a sabedoria de quem viveu experiencias inesqueciveis, sentirá se deve ou não dizer aos outros o que devem fazer na vida.

... e para acabar, acho que viver sem sonhos na meia idade é que é irresponsável. Sou guerreira sim, mas o meu corpo ainda não está envelhecido e a minha alma, essa, continua imortal ;-)

... isabelle

8 de Setembro de 2008

Manuela...uma mulher inspiradora

Existem perto de nós, pessoas inspiradoras de quem ninguém fala… são discretas, pedem pouco, agem com determinação e criam pequenos e grandes milagres.
Conheço uma pessoa assim… a Manuela Flaminio.

Manuela deve ter nascido não apenas com um mas com dois ou três corações, todos alimentados por uma Energia chamada Amor Incondicional, e que a fazem andar sem parar, para conseguir o que quer.
Manuela não tem apenas um projecto, tem vários, cujo objectivo comum são as crianças desfavorecidas, os órfãos… na Guiné, São Tomé e Príncipe, Brasil…

http://www.caminhosdeesperanca.no.sapo.pt/

A recolha de medicamentos, de brinquedos, de livros e cadernos não é muito difícil até porque parece haver do nosso lado uma necessidade de dar a quem nada tem …
Onde a Manuela precisa do nosso esforço em conjunto é para entregar a carga nestes países, desta vez em São Tomé. Sem ninguém lá para dirigir as operações, a carga fica “esquecida” no meio da burocracia, da papelada dos governos destes países… é assim.

O que mais chamou a minha atenção, quando conheci a Manuela, foi a envergadura do projecto para uma mulher sozinha e a sua fé neste chamamento. Há quem caminha pela paz, outros que protegem os direitos humanos, outros ainda que lutam pelo ambiente… a Manuela leva duas ou três toneladas de medicamentos e outros bens essenciais “às costas”, até onde fazem falta… é a sua missão e podemos ajudá-la com uma contribuição.

Obrigado pela vossa participação

…Isabelle
Uma mensagem da Manuela

... E assim o meu sonho de continuar nesta "marcha" foi alimentado, agora tendo como único objectivo o conseguir chegar aos países para entregar a carga. É um momento mágico ver crianças felizes, "nem que seja por instantes”, sorrisos genuínos, olhos de gratidão, gestos suaves, momentos que jamais esqueceremos. Basta seguir o impulso verdadeiro do coração, para contribuir da forma como cada um deseja e pode.

Fazem parte das nossas necessidades actuais:
3.000 Euros para suportar os custos de 2 VIAGENS de Lisboa a S.Tomé (e regresso).

Eis duas formas possíveis de viabilizar a vossa contribuição:
Um donativo em dinheiro.
Facultando contactos de pessoas ou empresas que possam e estejam interessadas em contribuir para este projecto.

Para contribuições em dinheiro:
Nº de Conta Bancária: 45339574713 (Maria Manuela Flamínio)
NIB: 003300004533957471305
IBAN: PT 50003300004533957471305
Código: BIC/SWIFT BCOMPTPL

Contactos:
m_flaminio@yahoo.com
Telemóvel: 00351 / 967578028
http://www.caminhosdeesperanca.no.sapo.pt/

7 de Setembro de 2008

Alma a nu

Cada vez que estou cansada desta vida que parece que não é minha, cada vez que sinto a vontade de deixar de escrever neste blog sobre a nossa vida de “nómada” e que me apetece desaparecer no anonimato da gente que não mudou a sua vida (e que continua aparentemente feliz), chega um comentário de alguém que não conheço e que de repente, se transforma numa voz interior que me diz que devo continuar e ter fé neste papel… de escritores… mensageiros ou de loucos… que aceitámos, o Paulo e eu, há uns dois anos atrás.

Hoje, temos uma única certeza; não sabemos onde vamos e qual é o objectivo prático das nossas mudanças. Elas acontecem, nos levam ao ritmo dos dias e dos meses, fazendo-nos passar por fases difíceis e outras mais tranquilizadoras… tornando-nos mais conscientes… de quê?... de nós e da ilusão de quem somos…

Qualquer que seja a dimensão onde pensamos ter chegado, a realidade é sempre a mesma: continuamos a nos iludir neste jogo extraordinário que é Viver na Terra, ser um espírito dentro de um corpo humano e ter a consciência disso. Porque a ilusão é a matéria-prima desta vida… tudo é ilusão, mesmo estas linhas... Mas o jogo é de entrar nesta ilusão, perceber que é uma ilusão e continuar a jogar meio iludido, meio lúcido, sabendo no fundo que tudo não passa de uma ilusão… parece complicado? Depende até que ponto o nosso ego nos deixa nos iludir a nós mesmo.

A maior desilusão que apanhei foi quando percebi que não havia uma recompensa ao fim da viagem de descoberta… existe apenas a viagem e esta acaba quando se acaba a vida...

Fazer a transição entre uma vida de 3D – em que o nosso objectivo de vida é ter um trabalho ou emprego, uma casa, ir de férias e assegurar o nosso futuro – e uma vida de 5D em que podemos querer tudo isso sem que seja o objectivo principal, mas sobretudo espreitar para o lado de lá, rasgar o véu do esquecimento que nos impede de lembrar a nossa verdadeira essência e finalmente sentir pulsar dentro de nós o Sopro, a Fonte de vida, o Amor de Tudo o que É… fazer esta transição é pisar um terreno em que as linhas de uma realidade que conhecemos já não são muito visíveis, é caminhar entre dois mundos.

Muita gente embarca numa viagem de auto-descoberta para se sentir melhor e o resultado é que muitos se sentem cada vez pior… A viagem de auto-descoberta não deve ser feita para nos sentir melhor mas sim porque sentimos que é uma necessidade essencial e que, nesta necessidade, aceitámos os riscos. Essa viagem muitas vezes, faz doer e faz perder o rumo daquilo que pensávamos ter conquistado.

Muitos deixam os seus empregos, relações, casamentos, mudam de casa, de cidade e às vezes, de países e passado algum tempo, vivem numa angustia terrível de não conseguir sobreviver materialmente ou emocionalmente…

Quanto a nós, tivemos até agora centenas de provas que não estamos sozinhos, que o fluir deste universo olha por cada um de nós e satisfaz as nossas necessidades à medida que fazemos a nossa parte… e cada vez que acontece, há uma pequena voz dentro de mim que me diz “Estás a ver, não tens que te preocupar, hoje, neste momento presente, tens tudo o que precisas.”

E mesmo assim, passado algum tempo, a angustia volta a acontecer.

Será tão difícil viver em confiança? Para mim, continua a ser, apesar de tudo… como todos os seres humanos, não sou treinada para isso e quando a pequena voz me pergunta o que é que me falta e respondo “a segurança de que não me vai faltar nada amanhã…” sei que novamente, entrei nesta rede perfeita de ilusões que é o nosso quotidiano.

Então, o que fazer? Voltar para trás?... não é possível porque apanhamos um elevador ascensional e que vai só nesse sentido. Estagnar num limbo, sem planos, sem projectos, sem alegrias?... possível mas não desejável porque é o oposto da natureza humana…


Então, que tal olhar para a nossa existência como um intervalo… inspirar, expirar… inspiramos, expiramos… nascemos, morremos… nascemos numa inspiração, morremos com uma expiração… e no intervalo desses dois movimentos do nosso corpo, máquina extraordinária, Ser, Acreditar e Deixar que tudo aconteça em sincronia, e que o Todo se manifeste.

Boa viagem, Heróis de mudanças da vida!

Tenho saudades da Internet em casa… que me fazia sentir ligada, fisicamente, emocionalmente e em espírito, às outras partes de mim que vocês representam, aqui perto ou longe, do outro lado do mundo ou do outro lado da rua… esperemos dias mais… “seguros” ;-)))


... isabelle

25 de Julho de 2008

Novos homens emergem…

Os ventos da mudança sopram e com eles, as transformações acontecem; durante algum tempo, não são assim tão óbvias mas, um dia acordamos e tudo parece diferente.

Sábado passado, este 1º workshop que fizemos juntamente com o Luís, trouxe um sorriso ao meu coração quando percebi, logo que chegaram os participantes, que a maioria era homens.

Bati palmas e fiquei feliz.

No meio deste caos que parece existir hoje em dia à nossa volta, as coisas encaixam-se umas nas outras, com ordem, sem pressa e às vezes, a força inteligente que nos rodeia é quase palpável.

Os novos homens emergem… pais sensíveis, chefe de empresas, terapeutas intuitivos… ou GNR que dançam o flamenco… eles mostram uma sensibilidade renascente, confiantes e honrados por sentir esta energia lunar masculina vibrar dentro deles.

É sempre um privilégio encontrar um desses homens, e/ou viver com um deles ;-)

Conhecemos o “nosso capitão” vai fazer 2 anos. Telefonou de manhã cedo e queria saber mais sobre as aulas de cozinha vegetariana. Convidámo-lo para nos visitar e poucos minutos depois, o Manuel apareceu a porta da casa onde vivíamos então, a Quinta das Rosas.

Durante as horas seguintes, ele falou dos seus sonhos, das suas paixões, da quinta que está a renovar na tradição das construções em terra crua; contou-nos das danças, sevilhanas e flamenco, que lhe permitem expressar toda a sua sensibilidade.

O seu olhar perdeu-se um pouco, sonhador, quando nos falou da linguagem que estabelece com os seus cavalos. Apesar de ter ar de quem monta a cavalo, Manuel não procura esta relação; ele é um destes Horse Whisperers, os encantadores de cavalos, que nos fazem lembrar… o filme… Ele gosta de olhar para eles e vê-los correr em liberdade.

Foi só no fim deste primeiro encontro que lhe perguntámos qual era a sua profissão. … ele respondeu que era GNR… olhamos uns para os outros em silencio, durante alguns instantes e continuamos a conversa.

Nas suas várias estadias connosco, a Leonor conheceu o Manuel e sinto que para ela, como jovem ainda um pouco rebelde ;-) foi importante conhecer este lado lunar masculino.
Há também o Carlos, inspector na PJ, que já fez vários caminhos, dentro e fora dele, e que quando nós saúda, nos envolve na luz violeta ou dourada…
“Até a bófia está a mudar…” comentou a Leonor, ao ler um dos emails do Carlos!

Hoje, quero honrar todos estes homens, os que representam a autoridade, os que cuidam, os que mostram o seu lado criativo, todos eles com muita sensibilidade. Junto, estamos a construir um novo mundo… Espavo!
... isabelle

20 de Julho de 2008

Um Passeio no sec.XVIII ...

No domingo, com a Sónia e o Carlos, visitámos o Jardim Botânico da Ajuda.
Fundado em 1768 é o primeiro de Portugal.
Arvores centenárias nas quais estão incluídas dois misteriosos Dragoeiros.
São arvores muito antigas ….
No Jardim, apreciamos as fontes,
as escadas, os buxos aparados que nos levam à época da sua construção.
É um jardim para se passear a pé, pena que não esteja muito cuidado, e que as informações acerca das espécies quando existentes, limitam-se ao nome.
Surpreendidos com a simpatia da placa alusiva aos dois,
sorrindo continuamos o passeio no meio das arvores centenárias.
Ás 18h00 n’ “O Espaço dos Girassóis” apresentámos “Via de la Plata – Um caminho para Santiago”. Tivemos a mais novinha espectadora, Maria Madalena com apenas 5 meses.
Um pequeno grupo, juntos pela primeira vez mas como amigos que se reencontram, falámos dos nossos caminhos, das nossas dúvidas e inquietações, da confiança e da fé, e da nova terra que todos estamos a criar.
Foram momentos intensos que criam laços, gostámos muito! Obrigado.

A ultima palavra para a Sónia e o Carlos.Estão no nosso coração.

... paulo

19 de Julho de 2008

Sábado Passado

Ficámos em casa de amigos, a Sónia e o Carlos.
Eles criaram “O Espaço dos Girassóis” e convidaram-nos a apresentar um workshop de “Técnicas Bioenergéticas” juntamente com o Luís Pereira.
O workshop começou de manhã no Espaço dos Girassóis.
Aqui todos trabalhámos, criando um espaço sagrado, procurámos os pontos de tensão nas nossas vidas, e criámos afirmações, as ferramentas que vamos passar a usar.
A Isabelle falou-nos da sua experiência pessoal e de como as visualizações e as afirmações contribuíram para a sua cura.
No seu testemunho disse-nos “Eu acreditei e pratiquei todos os dias…” e “… procuro ser coerente, sempre.”.
O “salto de fé” foi o início de uma transformação profunda, num percurso que não acaba e continua hoje. “… em todas as práticas que utilizei fiz sempre prova do discernimento – usei aquilo que sentia como justo e verdadeiro para mim. O resto deixei de lado, sem julgar.”
Depois utilizando uma técnica de meditação procurámos ouvir o nosso próprio corpo e enviámos uma energia de amor para essa parte do corpo que precisava.
Fomos até ao Jardim do Museu do Traje onde fizemos um piquenique. Um jardim pouco frequentado, e que na cidade de Lisboa nos coloca em plena natureza.
Durante algumas horas estivemos numa outra dimensão.
Depois do almoço dançámos a Oração de São Francisco e a Dança do Sol. Fomos conduzidos em meditações energéticas pelo Luís, que nos ajudou a sentir e a harmonizar a nossa própria energia.
Terminámos falando das qualidades a serem trabalhadas para acolher as novas energias. Nestes tempos de transformação, não apenas individual mas também colectiva, é importante trazer de volta para nós e para a terra as energias do Amor Incondicional, da Compaixão e da Gratidão.
No fim do encontro, cada um individualmente entrou no seu espaço sagrado com uma pergunta e da roda retirou uma resposta.
Acabado o workshop, o desafio é continuarmos ligados a nós mesmos, vivendo plenamente o mistério e a beleza da vida, trazendo mais consciência ao mundo em que vivemos.
... Paulo

18 de Julho de 2008

O Filme no Bairro Alto

Este foi um fim-de-semana muito preenchido.
Começamos por apresentar o nosso filme “Via de la Plata – Um caminho para Santiago”, na Galeria Matos Ferreira no Bairro Alto, na sexta-feira.
Com uma sala quase “esgotada” projectámos o filme, feito a partir de fotos, musica e narração.
A Galeria deu-nos uma qualidade de imagem e som óptimos.
Não conhecíamos a grande maioria dos participantes, mas em vez de sentirmos nervosismo, sentimos uma profunda empatia.As intervenções e as perguntas começaram pela simples curiosidade do caminho em si, e depois incidiram na experiência interior, no que nos teria transformado, o caminho.
Assim, tal como nós falámos desta experiência interior, também os participantes partilharam as suas transformações, resultado dos seus próprios caminhos.
...paulo

16 de Julho de 2008

Um Encontro com Fadas

Que privilégio o meu de ter participado no workshop dado pela Rute Almeida, no passado sábado, em Cascais.

Se alguem me tivesse dito que teria um encontro com fadas na cidade, se calhar teria duvidado...

Mas foi mesmo assim; delicioso, mágico, divertido, criativo e de outras dimensões.

Rute é uma verdadeira fada... que antes de partir para uma longa aventura no Brasil, com o Serge e Gabriel, o filho dos dois, quis partilhar as energias das Devas, para que, nós também, possamos partilhar com outros.




Tão fáceis de realizar, feitas com materiais naturais, as fadas nos transmitem as mensagens dos seres da Natureza, que aos poucos, voltam novamente para o nosso mundo.



Adorei...
isabelle...